
Texto de Arnaldo Jabor
As sementes são deixadas e regadas, irão florir e compor um esplendoroso jardim, em seu coração.


Sou pecadora. Estou condenada a viver com essa pena pela eternidade que terá minha vida medíocre. Cometi os piores crimes, imperdoáveis do catolicismo, e enquanto viver levarei a culpa. São as paixões humanas, deploráveis pessoas que se deixam levar pelo pecado. ‘Pecare’, quer dizer “errar o alvo”. Sempre que pecamos erramos de alvo, qual? O seu coração? Deixa-me vê-lo com os olhos que o amor me presenteia. Não consigo acertar o que não posso ver.
Dedilharei em segredo de confissão. Faça merecedor de tal confiança, não condene meu viver, não julgue minha forma de amar.
Meu corpo tem limites, meus sentimentos, não
Cometi a Gula quando me alimentei do teu calor, querendo sempre mais, já que meu querer é a fusão dos corpos, para tê-la sempre dentro de mim, por inteira. Me alimentei daquilo que pulsava em suas veias, meu sangue tinha teu gosto. Em meu pulmão, o ar era o perfume de tua pele, que senti em porções exageradamente inebriantes. Já não conseguia ver mais alguém, de tanto olhá-la em todos os pequenos momentos. A ânsia de devorá-la por inteiro me permite quase contar os fios finos de teu cabelo macio, perfumado, brilhante. Só não com tanto brilho quanto tua boca umedecida, saborosa. Minha boca saliva constantemente por sua melodia.
A Avareza me segue quando te subtraiu de outras pessoas. Não faço por mal, mas te quero só pra mim, só. Sou avarenta ao vento que toca tua pele e te faz eriçar os pêlos. O sol que esquenta e queima em tua pele, é meu grande rival. Quero que teus poros sintam apenas o sopro de minha respiração, o calor que ela leva a mapear cada centímetro tendo certeza de que esta tudo no lugar. Quero que tua pele sinta apenas meu toque e isso já seja o suficiente.
Tenho Lúxuria em exibir-me com sua beleza e narrar meu amor em qualquer lugar, quero público cada vez maior. Mesmo despenteada na TPM e sem maquiagem. “Olhem todos, minha Deusa, de beleza rara e incomum. Minha Diva, Dona de meu ser, Senhora do meu amor!” Tua beleza reluz e ofusca os olhos de meros mortais que têm que satisfazer-se em vê-la passar do outro lado da rua com um buquê de rosas vermelhas deixadas por um carro colorido e iluminado, tocando músicas que parecem de nosso repertório preferido, declamando palavras apaixonadas dedicadas em seu nome. Não conto moedas para vê-la radiar felicidade e transbordar amor.
Tenho Preguiça de sair quando o sol já não está, pois aproveito-me de cada momento que possa parecer planejado para romantizar e mostrar-te o quanto és inspiradora. Sempre depois de um momento de amor, a preguiça toma forma e não me permite levantar da cama quente, aconchegada em teus braços. O mundo lá fora já não me parece interessante e necessário. Pode tudo acontecer, o tempo passar, mas isto já me basta para viver. Fundamento toda minha vida a razão de te amar.
A Inveja me persegue nas vezes em que saímos na rua. É torturante perceber que todos te olham, te admiram, te desejam. Quero que todas essas pessoas não a vejam, não roubem um minuto de sua beleza. Sei que sou a Senhora de todos esses pontos de visão, mas os invejo, todos seus pensamentos, todos os seus desejos sobre minha Deusa. Vontade de levá-la para um mundo só nosso, de colocá-la onde só eu conseguiria vê-la, admira-la, desejá-la, cresce em meu pensamento.
Conheci a Ira quando não a encontrei. Quando busquei teus braços e senti apenas o vazio crescendo em meu peito. O brilho de teus olhos, sabor de tua boca, delicadeza de tua pele, melodia em tua voz, hoje desconheço o seu sentir. Teu calor já não me esquenta, meus lençóis parece mais frio do que a noite congelada que desce por fora das paredes de meu quarto. A noite sombria me dá medo, porém a solidão de meu aconchego é apavorante. Estou irada com a luz de meu dia, aquela que é chamado de Sol, a estrela fervente e radiante, não está iluminando o suficiente para tamanho escuro que caiu em minha vista. Raiva, ódio, lamento, dor, pena, sofrimento, demência.
Depois de um tempo o Orgulho volta a crescer no peito, dilacerando todas as paredes da solidão, do vazio. Já nada é necessário senão o necessário para voltar a ser feliz. E todo o lamento, sofrimento e dor, passam a ser um aliado em busca de melhores condições de sobrevivência. Um resgate ao mundo. A luz, o calor, o aconchego que faltava. Orgulho-me incansavelmente de todo o passado, de cada lágrima deixada em meu travesseiro, de cada palavra dita, de cada promessa profana. Exageradamente sinto o orgulho de hoje sofrer, mas sofrer como quem viveu, aprendeu, proporcionou, dedicou, jurou e amou em todas as dimensões de meu viver. E isso já basta!

Algum tempo se passou desde sua vinda a esse mundo cheio de insanos. Se acredita em destino, congratulations, ele veio presenteá-lo. Alias, ele veio me presentear.
Mensagens são poucas, palavras parecem resumidas, flores pouco transmitem. Resta-me o sentimento. Aquele que não consigo descrever ou até mesmo, aquele que nem ao menos consigo pouco demonstrar, por sua imensidão e complexidade.
Sinto-me sem inspiração por tamanho brilho de felicidade e radiação de amor, ofuscarem e encandearem minha simples e humilde sabedoria de pouco sabedor, vindo tudo de você. Não, não se sinta culpada. A culpa é tão somente minha por deixar que tudo isso embriague meus sentidos e me faça olhar fixamente a estrela mais brilhante do dia, você. Mas não há estrelas ladeadas ao sol. Você me parece querer tomar todas as atenções de um dia radiante, colorido e corrido, para que todos parem e avistem essa natural beleza. Calma, antes que você se convença disso, deixe-me assumir a culpa, a única provavelmente.
Fiz um acordo com a Lua, poderia dizer que um pacto por tamanho pedido feito e ao que me parece, comprido. Pedi para que deixe-me algumas estrelas no céu, então o poderoso Sol que se destaca pelo calor escaldante e ofuscante luminosidade contribuiu para a beleza da qual implorei para esse dia. Estrelas essas que mesmo sem podermos ver, transmite todas as luzes possíveis para que todos pudessem a você dirigir os melhores adjetivos do dia, para beneficiá-los com o poder de vê-la com tamanha beleza da qual a vejo todos os dias. Culpo-me também, por ter contribuído assim a tamanhas admirações e por todas essas atenções terem sido atribuídas a esse esplendor em pessoa. Egoísmo possivelmente, já que encontro-me desprivilegiada por não poder contemplar essa estrela tão perto quanto sempre quero. Não, a inspiração não me presenteou com belas palavras hoje, mas sim o sentimento que tomou forma, expressões e palavras. Poucas e resumidas, mas com uma complexidade singular.
Venho por meio desta descrição subliminar e esplendorosa, dizer o quanto também me sinto de parabéns, por tamanho amor introduzir em minha vida coisas maravilhosas que sozinha demoraria toda a eternidade para produzir e desfrutar.
Por tamanho orgulho de ter-te em minha vida, venho também narrar todo meu amor, carinho, admiração, compreensão, respeito e tantos outros sinônimos que resumiriam no primeiro destaque.
Te amar me faz uma pessoa melhor. Ter você constantemente em minha vida, me completa como ser humano.
Feliz Dia Meu Amor.

